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Dieta baseada em vegetais: de Portugal para o mundo
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Dieta baseada em vegetais: de Portugal para o mundo

A Vegan Bio Foods permite que quem defenda um estilo de vida sustentável, sem consumir proteínas animais e com respeito pelo planeta, possa ter opções alimentares rápidas e saudáveis.

A Vegan Bio Foods foi fundada em 2017 por Klaudia Freire, investigadora na área da neurobiologia. Com sede no concelho de Valença do Minho, distrito de Viana do Castelo, e uma fábrica na Holanda, a missão da empresa é desenvolver alimentos vegetais de qualidade, a partir de matérias-primas provenientes da agricultura biológica.

A empresa foi criada com base no conhecimento e trabalho científico da sua fundadora sobre o impacto da alimentação no tumor cerebral e, nesse contexto, “a decisão de desenvolver uma empresa orientada para as soluções alimentares à base de plantas, que pudessem ser um complemento para a promoção da saúde na população, foi algo natural e orientado para a escalada de mercados europeus, onde o número de patologias do sistema neurológico na população atinge uma incidência de caráter epidémico”, explica a fundadora. Considera que, sendo a alimentação um fator determinante para a manutenção do estado de saúde dos indivíduos, a empresa apresenta soluções para a promoção da saúde, desenvolvendo pesquisas sobre os neuroquímicos “que transmitem toda a informação ao sistema imunológico através dos nutrientes processados pela ingestão dos alimentos”. Completa ainda referindo que os alimentos assim concebidos servem como “alimentos terapêuticos complementares, focados em várias patologias, tais como diabetes, depressão, atividade neuroquímica disfuncional, regulação do metabolismo, prevenção do cancro e reabilitação em doentes oncológicos”.

Hábitos alimentares em mudança

A empresa vem, assim, ao encontro do que começa a ser uma tendência não só no mundo, mas, também, em Portugal. De acordo com um estudo organizado pelo Centro Vegetariano – Associação Ambiental para a Promoção do Vegetarianismo (Coimbra) e a Nielsen (empresa global de mediação e análise de dados), em 10 anos (2007-2017), o número de vegetarianos em Portugal quadruplicou. Em 2019, foi apresentado novo estudo pela consultora espanhola Lantern, que indicava que 9% da população já seguia uma alimentação “veggie”, que engloba vegetarianos (que incluem o consumo de derivados animais), veganos (que excluem qualquer produto de origem animal) e flexitarianos (que comem ocasionalmente carne e peixe). Segundo Klaudia Freire, a tendência será, a curto prazo, o aumento desse número: “O mercado plant based em Portugal encontra se em plena expansão e os indicadores oferecem uma perceção para o crescimento consolidado, e a curto prazo, destes produtos alimentares.” Respondendo a este crescimento crescente, a Vegan Bio Foods tem já um portefólio muito completo, com uma grande variedade de produtos orgânicos e vegan, como queijos, charcutaria e refeições prontas, substitutos da proteína animal, tofu biológico de vários sabores, bolachas, sanduíches, snacks e bolas energéticas. Em breve, as sobremesas vegans também irão integrar o seu catálogo B2B.

Apesar de se inserir num movimento atual, a Vegan Bio Foods respeita a herança da gastronomia portuguesa e pretende contribuir para aumentar esse “acervo gastronómico de forma proativa e dinâmica”. Klaudia Freire lembra que a alimentação portuguesa tem uma grande riqueza gastronómica, “quase como um laboratório de ideias e formulações, como podemos observar nas receitas conventuais, ou nos produtos autóctones como os nossos queijos”. Não esquece igualmente a “abordagem sensorial, que é uma característica única da alimentação portuguesa”, que se desenvolveu com os Descobrimentos, que introduziram novos elementos, como o caril e a canela, e que contribuíram “para a diversificação e fusão da gastronomia portuguesa, de uma forma consolidada”.

Na frente do movimento

Em breve, a Vegan Bio Foods terá uma unidade de produção no Norte de Portugal, com 3000 m2 de área de produção e logística e que será “carbon neutral, desde a origem”, garante. “A descarbonização industrial total é o nosso objetivo, alinhado com a estratégia do Governo e da Comissão Europeia em termos de sustentabilidade e transição energética, gestão de resíduos, automação da linha de produção (com a introdução da robótica com recurso a IA), assim como o cumprimento das metas e objetivos incluídos no Plano de Recuperação e Resiliência.” Acrescenta ainda que tem como missão demonstrar que a indústria pode ser descarbonizada e, simultaneamente, ser rentável, “do ponto de vista económico, com foco na atividade empresarial ‘human centered’, para estimular a indústria, a nível nacional e global”.

Revela que os maiores desafios deste setor são a carência de matérias-primas biológicas de base agrícola local, bem como a logística, que ainda não contribui para a sustentabilidade total da cadeia de valor que a empresa tem como meta. Esta escassez de produtos poderá ser agravada devido aos eventos associados às alterações climáticas. Daí que seja essencial definir uma “estratégia integrada e transversal a todos os elementos que operam no mercado, desde o regulador, passando pela indústria, logística e consumidores, para desenvolver planos adequados à mitigação dos eventos adversos”, avança. E se “o cluster de competitividade é sempre relevante para criar sinergias em termos de inovação aplicada à foodtech”, Klaudia acrescenta que, mais do que competitividade, pode falar-se em “clusters de colaboração e inteligência coletiva para estruturar e organizar o novo mercado da alimentação plant based”, em nome de uma “produção ética com cadeias de valor inteligentes e colaborativas, em estrutura organizada a nível global, para consolidação dos benefícios desta alimentação e promoção do futuro sustentável”.

A fundadora da Vegan Bio Foods lembra ainda que não só acredita que é possível ser competitivo no mercado global cumprindo as metas da sustentabilidade, como considera que as empresas que não se adaptarem irão perder competitividade. “As metas propostas para a transição devem ser cumpridas por todos os agentes de mercado, de forma homogénea e no timeline proposto, para se atingirem os resultados esperados e, assim, promover o crescimento sustentável da União Europeia.”

A equipa

Da equipa da Vegan Bio Foods fazem parte Klaudia Freire, investigadora científica na área da neurobiologia com uma carreira científica internacional com 20 anos de trabalho desenvolvido em vários centros de investigação científicos internacionais. Nos últimos anos, tem estado igualmente envolvida em projetos europeus para a promoção da saúde humana, através da alimentação saudável, em colaboração com diversas entidades. Diretora do Laboratório de Biofotonica no Karolinska Institute, lançou-se no mundo empresarial, na comercialização de produtos alimentares plant based e nutracêuticos.

Ricardo Esteves, investigador científico na Universidade de Coimbra, é o engenheiro responsável pelo desenvolvimento das soluções tecnológicas aplicadas a gestão da análise da qualidade biofotónica dos produtos alimentares produzidos pela empresa. E Sandra Coias, ativista na área da sustentabilidade e atriz, ocupa as funções de relações públicas. Resta acrescentar que, para a área de produção de conteúdos e marketing, a empresa conta com José Manuel, que liderou o grupo musical dos Fingertips e que é chef na área da alimentação plant based, além de integrar várias entidades de promoção e conservação da natureza. Klaudia Freire acrescenta que “todos os colaboradores da empresa são recursos humanos qualificados, alinhados com a estratégia de sustentabilidade da empresa e orientados para a inovação e espírito crítico”.

Factos e números

Ano da fundação: 2017
Localização da sede: Valença do Minho, Portugal
Fábrica: Holanda (2000 m2)
Principais clientes: grupos de retailers
Produção/ano: 100 toneladas
Volume de negócios em 2020: 1,8 milhões de euros
Peso das exportações em % da faturação: 90%
Presença direta em quantos países: Bálticos, Nórdicos, Ibéria
Quais os principais mercados/países de exportação: Bálticos e Países Escandinavos
Previsão do volume de negócios para 2021: 5 milhões de euros
N.º de empregados: 5
N.º de empregos criados indiretamente pela ação da empresa: 30