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CEiiA e a sustentabilidade do mundo
Notícias

CEiiA e a sustentabilidade do mundo

Começaram por prestar serviços de engenharia na área automóvel e aeronáutica, hoje interpretam as grandes tendências da sociedade e desenvolvem produtos próprios, de forma a contribuir para a descarbonização do planeta.

O CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto – iniciou a atividade em 2006 com o objetivo de atrair para o país grandes projetos estruturantes que envolvessem o desenvolvimento e a integração de novos produtos e serviços: de Portugal para o mundo. “Começámos por prestar serviços de engenharia no automóvel e na aeronáutica, com projetos com a Pininfarina (Itália) e com a Leonardo Helicopeters (Inglaterra e Itália) e, com isso, criámos a capacidade de desenvolver produtos para terceiros, com retenção de propriedade intelectual no nosso país, como é o caso do Buddy (Noruega) e do Embraer KC-390 (Brasil)”, explica Helena Silva, Diretora Executiva do CEiiA.

Quinze anos depois, não só oferecem serviços de engenharia e de desenvolvimento de produtos para terceiros, como trabalham em produtos próprios nas áreas do automóvel, mobilidade e cidades, aeronáutica, oceano e espaço, a partir de novas oportunidades que identificam da interpretação das grandes tendências da sociedade.

A transição para uma sociedade neutra em carbono tem sido o fio condutor da sua atuação e está subjacente à trajetória de evolução enquanto centro de engenharia e desenvolvimento de produto. Desde logo com a definição da estratégia de evolução da indústria automóvel nacional em torno de veículos de nicho zero emissões, continuando com o lançamento do programa nacional de mobilidade elétrica que colocou Portugal na liderança nos carregadores e nos sistemas de gestão e, mais tarde, com a evolução para a mobilidade como um serviço onde o CEiiA desenvolveu uma plataforma de integração de todos os serviços de mobilidade ao nível de uma cidade (MaaS). Na COP21 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015) o CEiiA apresentou o primeiro caso de sustentabilidade como serviço, com o piloto com a Uber designado por Ubergreen onde se testou pela primeira vez a quantificação das emissões evitadas.

Plataforma de sustentabilidade AYR

A CEiiA desenvolve novos produtos e serviços, mas também “novos produtos como serviços”, pensados a partir das necessidades das pessoas e das comunidades, sendo a tecnologia o meio disponibilizado para participarem de forma proativa na descarbonização das cidades. Os produtos, desenvolvidos de acordo com esta lógica – designados por ciber-físicos, uma vez que envolvem uma dimensão física (dispositivos com capacidade de conetividade) e uma dimensão digital (plataformas de dados) –, são desenhados tendo em conta a estética, a inclusão e a sustentabilidade. É disso exemplo a plataforma AYR, a ser desenvolvida em Matosinhos e já em fase de testes em cidades em Portugal e no Brasil.

Criada no CEiiA, esta plataforma recompensa comportamentos neutros em carbono na mobilidade e possibilita a criação de mercados locais voluntários de carbono, nos quais circulam créditos digitais verdes, que podem ser trocados por outros serviços. Desta forma, não só o indivíduo aderente, mas também as empresas podem compensar localmente a sua pegada de carbono, contribuindo, assim, para acelerar a transição global para cidades descarbonizadas. Este projeto fez com que, em abril deste ano, o CEIIA tivesse sido selecionado pela Google.org para integrar o Desafio de Impacto no Clima. “Estamos agora focados em escalar a solução e levar o AYR a mais países e a mais cidades. O reconhecimento da Comissão Europeia com o prémio do New European Bauhaus, na categoria de produto e estilos de vida sustentáveis, vem também reforçar a visibilidade internacional da nossa plataforma”, acrescenta Helena Silva.

Além da Plataforma AYR, estão também a lançar um novo serviço de mobilidade, o X4Us, a trabalhar em projetos na área do espaço, associados à observação da terra e, ainda, em programas aeronáuticos com os principais construtores globais.

Acreditam que é esta colaboração entre as várias entidades que permite gerar maior eficiência no todo e individualmente, resultando numa maior competitividade para as empresas. Neste sentido, lembram que os clusters industriais são essenciais, ao funcionarem como agregadores de várias organizações complementares entre si e que formam uma cadeia de valor em torno de um integrador/construtor de um produto, da fase de conceção, passando pelo desenvolvimento e produtização, até à industrialização e operação.

Foi, aliás, esta visão que permitiu desenvolver o ventilador Atena, no início da pandemia (março de 2020). “Com o desafio de salvar vidas, juntaram-se engenheiros, investigadores e médicos, e criámos uma base de colaboração efetiva, que resultou no desenvolvimento de outros dispositivos médicos, como o caso do capacete médico, ou a criação de um laboratório colaborativo para emergências médicas, liderado pelo Hospital de São João, envolvendo a escola de medicina da Universidade do Minho, o Fraunhofer Portugal, a TMG, entre outros.

Ligação à academia

O CEiiA mantém uma colaboração contínua com escolas e universidade nacionais e internacionais, quer através do desenvolvimento de projetos de investigação e desenvolvimento, quer através de programas para formação avançada como o Sustainable Living Innovators - um programa de apoio ao desenvolvimento de jovens líderes, orientado para a valorização do conhecimento e tecnologia em prol da qualidade de vida e sustentabilidade do Planeta. “A qualificação dos recursos humanos no CEiiA é determinante para os desenvolvimentos realizados, não só do ponto de vista técnico e tecnológico (hardskills), mas também do ponto de vista de softskills, uma vez que a multiplicidade dos desafios requer a integração entre várias áreas do conhecimento, quer do ponto de vista interno quer do ponto de vista externo, para podermos concretizar grandes programas em setores de levada intensidade tecnológica a partir do nosso país”, acrescenta a Diretora Executiva do CeiiA.

Transição para uma sociedade sustentável

A sustentabilidade é uma das pedras basilares da sua visão e desenvolvimento de produtos/serviços, que são, desde logo, projetados para serem positivos para o clima, inclusos (sem assimetrias sociais) e com uma forte dimensão estética. “A sustentabilidade não pode ser apenas uma dimensão das soluções, tem de ser core”, lembra a responsável. “É nesse sentido que orientamos os nossos desenvolvimentos de tecnologias, produto e serviços, sendo determinante termos recursos humanos altamente qualificados e acima de tudo “boas pessoas” que participem na concretização do propósito da nossa organização que, a partir de Portugal, pretende contribuir para a descarbonização do planeta”, conclui Helena Silva, Diretora Executiva do CEiiA.

Factos e números

Ano da fundação do Centro de Engenharia: 2006
Localização da sede: Matosinhos
Unidades de I&D / Local: 2 (Matosinhos e Évora)
Volume de negócios em 2020: 20M€
Peso das exportações em % da faturação: 70%
Presença direta em quantos países: 5
Principais mercados/países de exportação: Brasil, Inglaterra, Itália, França, Alemanha
N.º de empregados: 300