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Sábado    por    Cofina Boost Solutions

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Entrevistas

CGD vai contribuir para o relançamento económico do País

O banco vai continuar a trabalhar com as empresas em Portugal apoiando projetos de investimento, as necessidades de tesouraria e de gestão do dia a dia, com soluções integradas e adequadas a cada cliente

Francisco Cary, administrador executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), fala do papel que o banco quer continuar a desempenhar na transformação da economia nacional, ajudando a concretizar os desafios do novo quadro de fundos europeus.

A conclusão do processo de monitorização do plano estratégico 2017-2020 da CGD abre uma nova fase na atuação da CGD? O que vai mudar?

O objetivo das medidas contidas no Plano Estratégico 2017-2020 foi o de assegurar a sustentabilidade de longo prazo da CGD e a criação de valor para o seu acionista, o Estado português. Os seus principais pilares foram, em termos globais, cumpridos.

Embora estejamos muito orgulhosos do que conseguimos no período 2017-2020, não vamos “descansar sobre os louros”, e o novo Plano Estratégico 2021-2024 terá como grande desígnio o preservar da posição de liderança da Caixa no sistema financeiro nacional, cada vez mais reconhecida pela excelência de serviço aos seus clientes, apoiando o desenvolvimento da economia portuguesa e reforçando a sustentabilidade do seu modelo de negócio.

Na verdade, a CGD é líder de mercado em várias áreas de negócio - nos depósitos, no crédito à habitação, no leasing mobiliário, entre outras, mas há áreas e segmentos em que não o somos e acreditamos que podemos ser e o novo plano estratégico traça os caminhos e iniciativas que queremos implementar para conseguir essa liderança.

Que medidas estão a delinear para ajudar a aumentar a competitividade da economia nacional?

A questão fundamental é que estamos perante uma grande oportunidade para as empresas portuguesas em termos de ganhos de resiliência, de aumento da inovação, e da transição energética para energias “limpas” e transição digital, que são os grandes desígnios deste novo quadro de apoios europeus.

A Caixa terá um papel ativo para ajudar as empresas a concretizarem aqueles desafios no quadro da utilização dos fundos europeus.

Temos um conjunto de setores emergentes para os quais estamos particularmente empenhados em apoiar projetos, mediante uma adequada avaliação de risco: a transição climática, a transição digital, a bioeconomia, iniciativas ESG (Environmental, Social and Governance), a eficiência energética e substituição de recursos escassos, a cibersegurança, e projetos de I&D.

Complementarmente, e de forma transversal a todos os setores, também estamos empenhados em apoiar projetos de redesenho de modelos de negócio, recomposições de cadeias de valor, internacionalização e saltos de escala, parcerias complementares e racionalização de estruturas.

A pandemia foi também um teste às empresas portuguesas. Que desafios se colocam às empresas nacionais?

Os desafios que se colocam às PME portuguesas estão fundamentalmente relacionados com a recuperação da sua posição competitiva para níveis “pré-Covid”.

Muitos clientes, em diversos setores, mudaram de forma estrutural os seus comportamentos por força das restrições impostas no quadro da pandemia, e as empresas têm de conseguir lidar com esta nova realidade.

Para além dos desafios no “pós-Covid”, as empresas portuguesas continuarão a trabalhar sobre outros que já se faziam sentir anteriormente, nomeadamente a necessidade contínua de desenvolvimento das competências de gestão, num contexto fortemente, e crescentemente, concorrencial.

Como se está a preparar a CGD para ajudar a responder a esses desafios?

A CGD vai continuar a dar uma resposta proativa aos efeitos da pandemia nas famílias e empresas e continuar a contribuir para o relançamento económico do País. Promovemos a adesão à moratória legal, contactando as empresas e apresentando-lhes os benefícios de adesão como forma de defesa de tesouraria. No período entre janeiro de 2020 e abril de 2021, a CGD disponibilizou mais de 15.400 milhões de euros em crédito à sua base de clientes, dos quais 1.900 milhões de euros em Linhas Específicas Covid-19 (linhas com garantia mútua e garantias FEI), e crescemos +14% o saldo de crédito às PME em 2020.

Em 2021, continuamos a trabalhar com as empresas em Portugal no sentido de apoiar os seus projetos de investimento e as suas necessidades de tesouraria e de gestão do dia a dia, com soluções integradas e adequadas a cada cliente.

Dadas as circunstâncias atuais da evolução da pandemia e dos seus efeitos na economia, as moratórias para as empresas estão a chegar ao fim. Como encara a CGD esta situação?

Com a prudência e preparação que a situação impõe. A Caixa é um banco de relação e de proximidade, tendo mantido ao longo deste período um acompanhamento muito próximo com os seus clientes empresas. As nossas equipas comerciais têm estado em permanente contacto com as empresas no sentido de antecipar eventuais dificuldades com o fim das moratórias e identificar medidas adicionais, adequadas ao setor em que se enquadram, bem como a novas necessidades de financiamento. Embora a situação ainda apresente algumas incertezas, o diagnóstico que fazemos é que o impacto será menor do que antecipávamos no final de 2020 e que o mesmo será plenamente acomodável pela posição de capital da Caixa.

Como se podem minorar os efeitos do fim das moratórias nas empresas?

A Caixa definiu um plano operacional, que passa por um contacto proativo com todas as empresas com moratórias a finalizar, com o intuito de evitar e mitigar os efeitos adversos da pandemia, nomeadamente em termos da qualidade da carteira de crédito, antecipando soluções e dando respostas personalizadas.

Neste âmbito foram definidas diversas medidas para minimização do risco e apoio às empresas abrangidas pelas moratórias, destacando-se a avaliação da viabilidade/solvabilidade dos clientes e a definição de soluções de renegociação ou reestruturação.

Num plano mais geral, e com vista a soluções sistémicas, temos participado no grupo de trabalho da APB que tem discutido possíveis soluções com o Governo, que contemplam extensão de prazos de financiamentos ou moratórias nos setores mais afetados pela pandemia, mas necessariamente combinados com um reforço das garantias públicas ou apoios à recapitalização.

O efeito desta nova crise foi sentido de forma diferenciada nas empresas, sobretudo as que dependem do mercado interno. Que géneros de apoios devem ser criados para ajudar os setores mais afetados pela pandemia?

O novo quadro comunitário de fundos europeus, em especial o PRR, já representa uma importante resposta de política económica da UE para a recuperação da economia portuguesa e europeia. As soluções de reforço de capitais das empresas são essenciais para que as empresas mantenham a sua solidez e a capacidade para impulsionar a recuperação, recorrendo ao Banco Português de Fomento, e utilizando instrumentos tais como fundos de capital de risco, instrumentos de quasi-equity/mezzanine para empresas (com remuneração fixa e remuneração indexada a resultados, eventualmente convertível em capital). Em complemento, seria útil a criação de incentivos à consolidação empresarial que permita às nossas pequenas e médias empresas ganhos de escala que reforcem a sua competitividade no quadro europeu.

Que desempenho tiveram os setores exportadores neste período?

Na última década, as empresas portuguesas aumentaram a sua vocação exportadora, com forte crescimento (+52% de 2011 a 2019). Esta tendência foi interrompida pela pandemia.

Diversificar mercados, exportando online e utilizando os mercados digitais de venda de produtos, faz parte do caminho a seguir pelos exportadores portugueses, para desenvolver e acelerar plataformas digitais de aprendizagem e de transferência do conhecimento.

Durante todo este período de pandemia, a Caixa esteve sempre ao lado das empresas exportadoras, com soluções digitais para que o negócio não parasse: realizámos a 1ª operação documentária de comércio externo 100% digital em Portugal, em plataforma internacional de trade finance (maio 2020), temos mais de 60% das operações documentárias de comércio externo realizadas em canal digital, e estamos a reforçar a nossa presença no segmento, aumentando a nossa quota de mercado nas operações documentárias de comércio externo – no primeiro trimestre deste ano, a variação homóloga da produção de operações documentárias na nossa rede empresas foi superior a 160%.

Na recuperação, as exportadoras terão, de novo, um importante papel.

A grande procura existente na linha para as empresas exportadoras, em que a Caixa distribuiu a totalidade do plafond que lhe foi disponibilizado pelo Banco Português de Fomento (BPF), é um bom indicador da vitalidade das empresas exportadoras. Que produtos está a CGD a preparar para aproveitar esta dinâmica das empresas exportadoras?

Recentemente lançámos a Linha Caixa Investe Greenland, com foco no financiamento sustentável e no apoio de fundo de maneio e investimento, bem como o Caixa Invest Tesouraria sob a forma de contas-correntes.

Procurando cobrir diferentes dimensões de mercado, designadamente apoiar empresas recentemente criadas através da Linha Caixa Invest Start, estamos a lançar uma nova linha, a Caixa BEI 2021, com cobertura de risco de 75% do BEI, para apoiar as empresas multissetoriais e de maior dimensão.

É possível ter uma economia competitiva cumprindo as metas ambientais propostas pela Comissão Europeia?

As alterações climáticas e a degradação do ambiente representam uma ameaça para a Europa e para todo o mundo. Para ultrapassar estes desafios e concretizar uma economia eficiente na utilização dos recursos, o Pacto Ecológico Europeu transformará a União Europeia (UE) numa economia moderna e competitiva.

O Pacto Ecológico Europeu também faz parte do apoio para ultrapassar a pandemia de Covid-19. O Pacto Ecológico Europeu será financiado por um terço dos 1,8 biliões de euros de investimentos do Plano de Recuperação do Next Generation EU e pelo orçamento da UE para sete anos.

E o setor financeiro deve, e vai, contribuir para acelerar este processo através da reorientação dos capitais privados para investimentos mais sustentáveis.

Estão preparados para ajudar a financiar essa transição?

Sim, a Caixa está preparada e tem o objetivo de apoiar a transição da sociedade para uma economia de baixo carbono. Inclusivamente, em 2019, a Caixa assinou a Carta de Compromisso para o Financiamento Sustentável em Portugal, com o objetivo de acelerar o financiamento sustentável e de exponenciar novas oportunidades para a economia sob o paradigma das metas assumidas pelo País no Acordo de Paris e para a neutralidade carbónica em 2050.

A estratégia de sustentabilidade traçada pela Caixa implica que sejamos capazes de identificar as empresas que estão a promover abordagens de crescimento sustentável. Para isso, a Caixa desenvolveu um sistema interno de rating ESG, que já se encontra aplicado a cerca de 280.000 empresas clientes, com uma criteriosa escolha de indicadores e que permite definir, empresa a empresa, estratégias de financiamento sustentável, permitindo à Caixa identificar e abordar quais os clientes que investem na transição para modelos de negócio ou produtos ambientalmente e socialmente responsáveis, apoiando a transição global para uma economia sustentável.

A CGD está a desenvolver, em parceria com a Cofina, o projeto Negócios em Portugal. Pode explicar no que consiste esta iniciativa?

Vamos promover os clusters de competitividade dirigidos a associações empresariais, entidades públicas e empresas convidadas a associarem-se a este projeto. São 18 clusters que abrangem as mais diferentes áreas: aeronáutica, espaço, defesa; arquitetura, engenharia e construção; agroalimentar; automóvel; calçado e moda; indústrias da fileira de moldes, ferramentas especiais; ferrovia; habitat sustentável; saúde; mar; recursos minerais; petroquímica, química, industrial e refinação; tecnologias de produção; tecnologia e moda; tecnologias de informação, comunicação e eletrónica; vinha e vinho.

O objetivo da iniciativa é que estes clusters possam projetar a sua voz, amplificando os temas que lhes são prioritários, as suas necessidades e os desafios que enfrentam.

Que objetivos pretendem alcançar com esta iniciativa?

A Caixa, como promotora do Negócios em Portugal, pretende, por um lado, realçar a qualidade dos produtos made in Portugal, e, por outro, alertar o mercado para a importância de os valorizar, tendo em consideração que esta escolha impactará a indústria portuguesa e trará mais-valias únicas para a economia nacional. Apoiar a indústria e as empresas portuguesas é apoiar o nosso país, e é isso que, na Caixa fazemos e queremos continuar a fazer.